terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Busca por justiça

***Jackson Andrade***


Busca por justiça


Muitos caminhos podem fazer com que seja possível escolher a melhor ou a pior escolha, mas basta apenas uma iniciativa. Estava eu no caminho para casa, depois de uma balada com uns amigos, despedida de solteiro, quando avistei um carro que aparentemente encontrava-se além da velocidade permitida.  Era um carro vermelho, acredito ser um gol, vi algo familiar no carro, entretanto, pela velocidade não deu para saber quem o conduzia. Entre três e quatro horas depois do ocorrido recebo uma ligação que foi encontrado um carro capotado e que no qual era o meu. Lembro ter deixado no estacionamento.
Minutos depois da primeira ligação aparecem vários policiais na minha casa que anunciavam minha prisão. Eles falavam:
- O senhor é Carlos Hermínio do Nascimento?
-Sim, sou eu mesmo. Qual é o problema?
- O senhor foi visto num carro vermelho dirigindo a mais do limite permitido e ocasionou um acidente. Pessoas relataram que o senhor se evadiu do local. Agora o senhor vai pagar pelo o que fez!
- Mas senhor eu não fiz nada!
- É incrível como sempre vocês dizem isso! hahahaha!
- Mas sou inocente!
- Agora vai ter que provar, porém estará preso!
Naquele momento duvidava até da minha palavra, pois conforme ele falava parecia que tivera cometido tamanha confusão. Ao chegar na delegacia repórteres estavam à minha espera e haviam pessoas querendo me bater, entretanto os policiais faziam a minha escolta. Relatei para o delegado que tudo passava de um engano e que na noite do ocorrido estava na festa com uns amigos. Porém recordo que tomei uma bebida e depois daquele momento não estava me sentido bem. Então nesse momento resolvi buscar o carro. Porém, quando cheguei no estacionamento o carro não se encontrava.
Nesse momento pensei comigo mesmo: - Caramba então foi isso que aconteceu, agora tudo faz sentido. Por isso que achei o carro familiar.
Depois do relatório o delegado disse que tinha direito a um advogado e que eu teria que ficar até o outro dia ali mesmo, preso. Mas eu não poderia ficar preso pois seria a primeira vez que estaria sendo privado da minha liberdade. Entretanto não foi o que aconteceu pois o delegado proferiu as seguintes palavras:
- O senhor tem várias passagens por furto de carro, assaltos e a lista é bem extensa.
- Mas como pode ser uma coisa dessas!? Sou uma pessoa de bem! Jamais seria capaz de tal situação!
-Filho, segundo sua ficha você realmente vai dormir aqui no xadrez.
Entrei em contato imediatamente para com o meu advogado, que não demorou achegar. Com isso, ainda não foi possível me tirar daquela maldita delegacia. Passei dois meses privado de minha liberdade, além de pagar três salários mínimos para a pessoa que sofreu o acidente até que se recupere e possa voltar as suas atividades rotineiras. Depois de tudo fui falar com os amigos que tinham saído comigo para a bendita festa, perguntei se eles sabiam ou notaram alguma pessoa suspeita ou coisa parecida.
Um amigo falou: - Carlos lembro que você teve um pequeno desentendimento com um cara, só que não deu para o ver direito quem era a pessoa, pois foi no momento que você tivera saído para buscar uma cerveja.
-Obrigado pela informação, porém não me recordo a fisionomia, pois estava muito bêbado.
- Lembro que você disse que tinha visto alguém familiar.
- pois é cara, não me recordo.
Tinha um objetivo que era buscar minha dignidade, pois para todos não era a pessoa que costumava ser. Lembro-me de que quando criança tinha um amigo de infância que se parecia muito comigo, todos falavam que erarmos irmãos e não sabíamos. Entretanto, ele morava numa outra cidade, mas isso, não era problema pois eu só não poderia sair do país, devido comparecer no foro para a audiência.
Estava na busca desse amigo que por sua vez seu nome é Gustavo e sabia que não era uma tarefa fácil de encontra-lo, mas não era impossível. Segundo fontes populares o Guga, assim o chamava, trabalhava como entregador de pizza. Um fato me fez pensar é que quando criança, nós brigamos por conta de uma garota, Maria Clara, e que essa garota hoje é minha mulher e temos três filhos, Carmem, Maria Beatriz e Carlos Júnior. Depois do desentendimento nunca mais nos falamos. Depois de vinte anos seria a primeira vez que voltaríamos a nos falar. Depois de duas horas a procura, um entregador de pizza que por sua vez também era amigo do Guga, me forneceu o endereço, só que ele me falou que o Gustavo estava viajando e já fazia um tempo.
Depois de tanta busca que se diga por passagem em vão, volto para a minha cidade com o pensamento que estou no caminho certo. Eis que decido criar um perfil falso no facebook e com isso tentar entrar em contato com ele. Não deu outra, ele aceitou de imediato. Comecei a saber os caminhos dele através das suas postagens. E também conversávamos bastantes, visto que o perfil que criei era feminino e com isso, ele não desconfiaria de nada. Marcamos de ter um encontro, de imediato paguei para uma mulher falar que eu não poderia aparecer e com isso tentar seduzi-lo. Como sabia que ele é mulherengo não deu outra, cinco minutos de conversa e ela já o tinha o espertalhão nas mãos. Ela seguiu com o plano e todas as informações ela iria passar pra mim.
No outro dia a mulher me entregou um bilhete com todas as informações que tivera obtido, pronto com isso poderia ter um encontro com ele e saber se realmente ele tinha me prejudicado ou não. Só será uma questão de tempo para que Gustavo encarasse a minha cólera.
-Caros amigos, hoje será o dia que mostrarei para o mundo o quanto as pessoas podem ser injustiçadas e podem dar a volta por cima!
Era assim que pensava quando toda a verdade estivesse perto de vir à tona. Todos saberiam que fui condenado por algo que não tivesse cometido. Agora só me restava marcar o dia do reencontro.
Ativei o bate papo e lá se encontrava Guga. Marcamos de nos encontrarmos e quando ele não viu a galega de olhos verdes, cabelos longos e boca carnuda, ele meio que se acusava por sua atitude de espanto.  
- Alguma problema velho amigo?
- Não, apenas surpreso!
- Pareceu que viu um fantasma!
Naquele momento é como se desse para ver o medo diante dos seus olhos. Queria a priori “voar” no pescoço e fazer com que ele implorasse o meu perdão e também se humilhasse para poder viver. Começamos a conversar como se nada tivesse acontecido.
-E ai velho amigo? Tudo bom? Perguntava Guga com um tom sarcástico,
- Estou bem. Só que paguei “cana” por algo que não fiz!
- O que foi que houve?
- Não se faça de desentendido! Agora me lembro que o cara que me encontrei na festa era você seu vagabundo! Como teve coragem de fazer uma coisa dessa comigo! Me dopou para fazer isso! Com que motivos? Qual o propósito?
- Sabe muito bem. Sempre fui apaixonado por Maria Clara. Esses seus três filhos eram para ser meus! Você sabia que eu era louco por ela e mesmo assim fez isso comigo!
- Cara, na boa, você sempre olhava para as amigas dela. Foi então quando falei que ela se destacava diante das outras. Acho que você cresceu os olhos para com ela!
Parecem bobagem mas as coisas sempre são assim quando a pessoa se encanta por algo ou alguém as pessoas colocam o “olho gordo” na felicidade do outro. Depois que falei ele meio que baixou a cabeça e percebi que seus olhos estavam escuros. Foi quando ele levantou a cabeça e partiu para cima de mim. Acertou dois golpes certeiros um na boca e outro na barriga. Imediatamente eu já me encontrava no chão com a boca cheio de sangue.
- Você é fraco! Ela merece uma cara como eu, que pode defende-la!
- Não é assim que a “banda toca”! Você vai aprender a aceitar que ela me escolheu para ser feliz!
Parti com tudo para cima, acertei três chutes no rosto e um soco na barriga. Depois disso acertei outros golpes e a raiva já me consumia, com isso ele já se encontrava todo ensanguentado e ele já não tinha forças para reagir. Foi quando vi uma pedra e a levantei para o finalizar. Foi ai que eu ouvi um grito.
- Pare amor não faça isso. Não acabe com sua vida!
No momento que ouvi quase que não parei, mas se eu o finalizasse jamais iria me perdoar e com isso soltei a pedra e me virei para abraçar a minha amada. Foi nesse momento que Guga pega pedra e me dar um golpe certeiro pelas costas. Quando estou caindo lentamente é como se um filme passasse na minha mente. Maria clara grita toda agoniada e se sentindo culpada por ter sido golpeado, ela pega seu tamanco e o golpeia acertando um de seus olhos e com isso fura lhe um dos olhos e o deixa cego.
- Acertei só um olho para você ver que Carlos e eu seremos muitos felizes!
No momento que Clara, termina de proferir as palavras chega uma viatura da polícia e aprende o Gustavo e com isso a minha dignidade é devolvida pelo fato que eu estava com um gravador e com isso pude provar que tudo passava de uma conspiração de um invejoso que queria ter a vida que eu tenho. E também ele relata que tinha feito documentos falsos para poder me incriminar e com isso poder me afastar de Clara. Segundo ele, fez tudo por amor.
Na vida real podemos até sermos acusados de crimes e com isso deveremos buscar se defender diante da justiça, e não querer fazer justiça. De fato, é comum sermos acusados de um crime que muitas vezes não somos responsáveis por determinadas ações criminais.


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