quinta-feira, 26 de maio de 2016

Rua das ilusões


Rua das ilusões

                                                                                    Jackson Andrade

Rua das ilusões é um lugar muito tranquilo. Por aqui temos vizinhos que prestam atenção nas vidas dos outros, coisas que em todo lugar tem. Aqui a pessoa tem várias opções de lazer, belas praias e belos clubes. Meu nome é Schott e tenho 34 anos, mas o que vou lhes contar são acontecimentos de quando eu tinha apenas 14 anos de idade. Lembro-me que era uma pessoa bastante comunicativa, até eu perder meu pai num acidente de carro. Estávamos a caminho do hotel, pois tínhamos tirados férias e o lugar escolhido foi Fortaleza. Era tarde da noite e estava chovendo e não vimos que tinha uma vaca na pista a acertamos em cheio e capotamos três vezes, meu pai foi arremessado para fora do carro, bateu a cabeça e faleceu no Local. Eu desmaiei e acordei dois dias após no hospital.
Depois desse episódio lamentoso me tornei uma pessoa que ocultava meus sentimentos, me exclui de todos. Meus amigos tentavam me ajudar e também fazer com que eu não me sentisse dessa forma, mas era inevitável. Entretanto, tinha uma menina chamada Maria Eduarda, ela era dois anos mais nova que eu. Ela é um pouco mais alta que eu, tem cabelos longos e preto com mechas amarelas, seus olhos são castanhos escuros, ela tem um corpo que parece que foi esculpido. Ela me fazia sentir muito especial. Porém, tinha momentos que ela me deixava de lado porque ela era muito popular e todos a queriam por perto. Eu sempre fui apaixonado por ela, contudo ela tinha a minha pessoa como amigo. Toda a nossa amizade começou quando eu vinha passando e ela vinha com as mãos cheias de livros, ela tropeçou numa pedra e foi de encontro ao chão. Então e a ajudei. Aproximei-me e falei:
- Opa, moça. Cuidado, posso de ajudar?
-Sim, por favor. Respondeu ela com uma olhar de envergonhada e ao mesmo tempo com ar de que nem precisava ter pedido para ajudar.
- Sou Schott. E você?
- Maria Eduarda. Prazer em te conhecer.
- O prazer foi todo meu. Mas você é nova na cidade, certo?
- Sim. Ela falou e sentiu-se surpresa por imaginar que ela era nova na cidade.
- Acho que deve tá se perguntando como adivinhei que era nova na cidade, certo?
- Não vou mentir que fiquei surpresa. – Deu uma ajeitada no cabelo e sorriu. - Você parece ser uma pessoa bem legal. É sempre assim?
- Só quando encontro pessoas especiais. – Pensei comigo, será que ela vai pensar que a chamei de “especial”. -Pois você é muito bonita e chamou muito a minha atenção.
- Obrigado por tudo, agora tenho que ir.
- A gente se ver.
-Até logo.
Depois desse primeiro encontro tivemos outros, não igual, mas sim divertido.  Estávamos com uma amizade de um mês, entretanto tínhamos uma conexão. A amizade estava tão forte que começamos a namorar. No começo foi muito legal, entretanto por ser uma pessoa muito complicado de se conviver terminamos com quase oito meses de namoro. Tentei por várias maneiras a ter de volta, mas parecia que ela estava decidida a seguir “carreira solo”. Porém, sempre fiquei por perto para que o nosso amor não fosse esquecido. Até uma dia que a vi saindo com um de seus amigos. A seguir de forma que ela não me viu. Chegando a um local mais isolado, ela o beijava intensamente. De imediato escorreu lágrimas dos meus olhos, fiz questão de passar por eles e falar. Ela toda sem jeito veio me pedir desculpas. Respondi que não precisava se dar ao luxo de tal façanha, pois ela já tinha feito o “delito”. Assim pensei porque estava com apenas três dias que estávamos terminados.
***
Passados dois meses após nosso termino já me sentia bem melhor. Comecei novas amizades e com isso costumávamos nos reunir para assistir filmes, entre eles, o que mais me chamou atenção foi Laranja Mecânica. Fiquei muito envolvido com a história e pensei em formar um grupo e seguir passos de Alex, personagem principal. Busquei ler contos de Edgar Allan Poe, li também o médico e o mostro de Robert Louis Stevenson. Estava fundamentado para poder aflorar tudo que estava oculto, a maldade.
Não poderia sair por ai sozinho fazer coisas que fossem contra a sociedade, eis que procuro aliados, tinha três colegas de sala que sofriam bulling, pareciam que as coisas estavam conspirando ao meu favor. Comecei a me aproximar deles seus nomes são Paulo, era uma pessoa atlético, porém tímido, seus cabelos eram curtos e castanhos, seus olhos também era castanhos e tinha uma altura média, não tão alto e nem tão baixo. O outro era Leonardo, ele era popular e bem divertido, contadas piadas e fazia com que todos ao seu redor se sentisse alegre, por esse motivo os outros meninos tinha inveja dele e procuravam meios de tirar a paciência dele. Ele se parecia um pouco com o Paulo. E o outro era Ferreira, bem amigos de todos, só que as vezes fazia com que algumas pessoas brincadeiras de mal gosto, gostava de fazer dublo sentidos, e a maioria não gostavam, de certa forma era um pouco constrangedor pelo o fato de toda hora ele queria brincar. Ele tinha a pele um pouco mais clara que a gente, era um pouco mais alto e mais forte, cabelos pretos e curto e olhos castanhos.
Pronto, agora já tinha o que precisava para formar a minha ”gang”. Assim como busquei informações para aflorar o meu lado bad, fiz para com eles, indiquei livros e filmes para que eles ficassem como eu. De certa forma me tornei o líder do grupo. Um mês se passou e estávamos quase pronto para sair por ai quebrando as regras. O que faltava era uma roupa especifica para que pudéssemos ficar marcados, marca registrada. Comecei a desenhar um modelo, a cor da roupa era creme, Pintamos ao redor do olho esquerdo de preto e o outro olho era coberto por uma máscara e a bota era preta.
Começamos com coisas simples, como por exemplo, desenhamos coisas engraçadas nas paredes, grafites e também colocávamos coisas que fosse diretamente contra a situação atual na política no Brasil, visto que, era uma vergonha o que acontecia, estavam contra a democracia. Estava fraca a nossa aventura, por sermos garotos da noite, precisávamos fazer coisas que correspondesse com anoite, algo sombrio. Eis que, avistamos um bêbado todo sujo, parecia que tinha acabado de sair de um pub. Aproximamos e o cercamos. Começamos a empurrá-lo de uma lado para outro, ele chorando pedia para parar, mas não foi atendido. O primeiro chute foi o meu, depois foi Paulo, o Leo acertou um soco na cara do elemento, eis que ele bate a cabeça no chão e desmaia. Roubamos o dinheiro dele saímos correndo. Antes disso peguei meu celular e liguei para a emergência. Minha ideia não era matar, mas apenas causar dor.
***
Depois de vários meses quebrando regras ficamos conhecido como os garotos das ilusões. Todo dia no jornal sai uma reportagem falando da gente. Era de certa forma engraçado, pois quando lia sentia o prazer aumentar. Quando chegou por volta das nove e meia da noite liguei para os parças, marcando mais um encontro. Estávamos na rua das ilusões e avistamos um casal. Acho que estavam fazendo algo mais sensual, pois o lugar era muito propício. Chegamos lentamente e Paulo agarrou a mulher tampando a boca dela, e Ferreira e Leo seguraram o rapaz. Então, acertei um golpe na barriga do cara. Falei para ele:
- E ai cara, belê?
- O que vocês querem?
- Queremos a sua mina, pois aqui não é lugar de fazer o que queria fazer.
-estávamos apenas nos beijando e isso não é da sua conta. -Respondeu o cara todo se tremendo e aflito.
- Você tem que saber tratar uma mulher. Só que agora vou usa-la em sua frente.
- Não faça isso, por favor. –Pedia o cara aos choros.
Então deitamos ela no chão e comecei a tirar a sua roupa, em seguida baixei a minha calça. Quando comecei a usa-la, ela começou a sangrar, era virgem. Bateu um arrependimento, entretanto continuei. Fiz o que quis com ela, depois foi a vez de Paulo e todos os outros. Ela chorava de dor e seu namorado também.  Depois dos atos, saímos em disparada. Em seguida, peguei meu celular e liguei para a polícia informando o que tinha acontecido. Passando apenas cinco minutos uma viatura chegou ao local que tivera acontecido. Porém estávamos escondido observando tudo. Depois disso decidir ir para casa, pois queria recuperar forças para o outro dia de aventura.
Ao chegar em casa recebo uma mensagem de Eduarda. Dizia assim;
Amor, estou bastante arrependida e quero ter comigo outra vez... faço tudo que você quiser para te ter nos meus braços novamente...
Comecei a rir, então peguei o celular e disse:
Não me faças rir... Você quer somente brincar com meus sentimentos...
Não demorou muito e recebo outra mensagem que falava:
Venha me ver, vou te esperar na rua das ilusões.
Achei um pouco esquisito ela me ver logo onde estavas acontecendo a quebra de regras. De imediato liguei para os parças. E fomos para o local. Ao chegar lá ela realmente estava à minha espera. Pedi para os parças a cercarem e ela começou a gritar. Seguraram ela pelo o braço e a deitaram ela no chão. Então, Paulo foi querer molesta-la. Ela pensou que era eu que estava fazendo aquilo e falou:
- Não acredito que é você.
- Você quem?
- Ora não se faça de doido, sei que é você Schott.
- Eu não sou esse tal de Schott.
Em seguida eu venho correndo e acerto Paulo pelas costas, derrubo Leo com o soco e Ferreira me acerta com uma pesada. Falei para ela sair correndo e ligar para a polícia. E assim ela fez. Assim que ela saiu de vista, nós começamos a rir e fomos para um pub. Liguei para ela e disse que estava indo para casa e ela disse que me procurou mas não me encontrou e já estavas indo a casa dela. Ela me agradeceu por ter salvado ela.
Ficou provado que ela não sabia que eu estava envolvido com os atos. Então, poderia seguir despreocupado, fazendo com que eu sentisse prazer em ser ruim, uma espécie de Breaking bad, indo contra o que antes era “bonzinho” e se tornar “mal”. Fizemos várias coisas perigosas e estávamos desafiando a lei. No entanto, já estava ficando “sem graça” e decidir abandonar o grupo, os parças ainda queriam continuar e assim eu segui o meu caminho. Mas pelo o que deu para perceber meus amigos não gostaram nenhum pouco, pois ele sabiam que eu estava desistindo porque queria Eduarda nos meus braços novamente.
***

Muitos anos se passaram depois que me afastei dos parças, apenas notícias nos noticiários e para muitos eles eram encarados como exemplos de irem contra o sistema, mas por outro lado, os crimes faziam com que o momento “héroi”, revolucionário e espirito de vingança pela democracia fossem apagados.
Comecei a ter contato a mais com Eduarda e estávamos quase voltando ao que éramos, no entanto, algo dentro de mim fazia com que eu não fosse como era antes. Assim de certa forma, eu tinha atitudes que não eram correspondentes com o momento. Isso é características de pessoas complicadas. Dessa forma, tive muito contato no celular e dessa forma marquei um encontro com uma garota que nem se quer a conhecia, éramos amigos no facebook. Não existe essa de crime perfeito, visto que, de certa forma Eduarda descobriu e me seguiu até consumar o ato, para pegar em flagrante, assim como o tinha feito.
Uma vez parte dos parças nunca mais se esquece de viver uma vida sem se preocupar com regras. Decidir voltar a fazer parte de onde realmente era eu lugar. Pois o que mais gosto é causar dor e sentir prazer com essas atitudes.  Não demorou muito e tivemos a festa do reencontro e dessa maneira estava de novo inserido aos parças.
Agora estava na maior idade e nesse pensamento deveria ter mais cuidado para não ser pego, mas eu não me importava com o perigo, pois a adrenalina era o que me movimentava. Já não tinha mais informações sobre Eduarda, pois depois do termino ela tinha partido para um rumo não informado, apenas sumiu. Agora o que importa é o momentos, apensar da minha pessoa preferiu explicar fatos do passado.
Estava uma noite fria e entretanto o que sempre fazíamos causavam um calor intenso, eis que saímos para nos divertimos, dessa vez tinhas avistado a filha de um policial, ela tem cabelos longos e dourados, olhos claros, uma cintura de dar inveja a muitas modelos conhecidas. Morávamos no mesmo bairro, sempre pensei que tinha chance, mas pelo o contrário ela tinha me humilhado na frente de todos. Então, decidir fazer com que ela pagasse e sofresse assim como eu sofri.
Sabia de todos os horários dela e também das coisas que ela gostava de fazer. Com o plano em mente chamei os parças  e assim fomos a missão. O lugar que ela costumas ir era no Society, próximo à rua das ilusões. Um lugar que gostávamos de fazer as nossas performances. Era por volta das nove e meia e ela tinha acabado de finalizar a sua atividade física, uma partida de handball, As suas amigas a deixaram sozinha porque elas tinham batido boca durante as partidas.  Foi nesse momento que aproveitamos e a cercamos e espantamos para o lugar planejado. Ela começou a gritar e com isso Paulo o agarra por trás e tampa a boca dela. Leo segura as pernas dela e então a deitaram no chão, depois disso tirei o seu short e comecei a beija-la. Ela estava no ponto para ação e assim se concretizou. Ela estava “finalizada” de todas as formas possíveis e para o nosso azar passa uma viatura da polícia, era o pai dela.
-Ei, vocês ai! Soltem essa garota!
- Corre galera, os omi chegou!
- Papai, papai, sou eu, sua adorável filha. – Dizia ela aos prantos.
Depois dessa fala o policial saca sua arma começa a tirar para matar, pois estava desolado por aquela garota ser sua adorável filha. Fui acertado com dois tiros, um no meu braço esquerdo e outro na perna. Meus amigos fugiram e por sorte na hora que o policial ia me finalizar faltou munição. A garota pede para que o pai não fazer nada comigo, apesar do que eu acabara de fazer com ela. Para minha surpresa e do pai dela, ela disse que tinha se apaixonado por mim. O pai indignado com o que acabara de ouvir somente me prende e ainda me leva para o hospital.
Dias atuais, hoje estou casado com ela, seu nome é Carla e temos dois filhos, um casal, Carlos e Mirelly. O pai de Carla pediu para eu entrar na faculdade de direito e assim fiz, passei em terceiro lugar e hoje sigo carreira militar, lutando contra as coisas que fazia, pois já era experiente no assunto e assim poderia livrar as jovens donzelas dos perigos e também nas estratégias, pois sei como um “psicopata” pensa. E sobre os parças, nunca mais tive notícias.

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